Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância... (Fernando Pessoa)
maio 12, 2012
"Ando tão insatisfeita. tudo em minha volta parece um ser estranho. incapacidades minhas andam pela casa me azucrinando a cabeça. perguntas mal feitas sem resposta. da direita vem o mal apontando as setas persuasivas. não enxergo nada a um palmo do meu nariz. alguém tentando de modo mais sutil e abstruso possível ter o meu total controle. trazendo-me à própria loucura do descontrole. as horas passam inutilmente. tenho bilhões de palavras na cabeça que estão presas na garganta. não saem por nada. há uma cambada de letras duelando contra mim. é o preço que pago por entregar-me outra vez. argumento com todas as forças contra todas as leis. alto demais este custo que nem a própria vida teria condições de pagar. é o erro auto destrutivo. o tempo que passa não volta jamais. por isso nossa vida é uma dívida que dinheiro nenhum paga. até quando vou suportar viver e trabalhar e suportar apenas para viver. e aos poucos morrer e morrer por nada. é preciso um significado convincente nisso tudo. as tramoias dos mistérios não descobertos. precisam se revelar em algum momento. quando tudo parecer mais delicado ou impossível até de acreditar que realmente fosse. de certo modo de um jeito ou de outro assim tão facilmente. alcançável outra vez. o brilho nos olhos. o sorriso no rosto. a paixão incessante de delírio e prazer simultâneos. seguida da loucura. ah! a loucura. de amar."
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